II Conferência Internacional do Funchal  
Câmara Municipal do Funchal
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Miguel Filipe Machado de Albuquerque
Presidente da Câmara Municipal do Funchal

Um conhecido comentador político dizia alguns anos atrás que o Mundo estava perigoso.

Hoje, ninguém parece ter dúvidas que tinha razão.

Por isso, quando uma crise internacional estrutural, amplifica os resultados da falta de visão, de estratégia e de desgoverno dos Governos que nos couberam em sorte, olhamos atónitos uns para os outros sem perceber o que nos está a acontecer.

Os anos conturbados e generosos que se seguiram a 1974, procuraram dar ao povo português o mínimo de condições sociais e económicas que mitigassem a penúria e a pobreza em que se vinha arrastando, atolado numa guerra colonial sem solução e num sistema político que lhe negava os mais elementares direitos e deveres de cidadania.

Instalada a democracia a duras penas, vemos a história do século XIX decalcar-se nos nossos tempos, e hoje, mais uma vez, as solidariedades, direitos e deveres, por que lutámos, são substituídos por seguidismos, intrigas e interesses forjados para garantirem a sobrevivência de clientelas espúrias.

E o que deveria ser excepção condenável, acaba por se tornar a regra.

Os deveres sobrepõem-se aos direitos e a facilidade preguiçosa impõe-se à dureza do esforço criativo e solidário, sem o qual nada se faz que valha a pena.

À frugalidade consciente e responsável, preferimos o consumismo sem limites que a publicidade nos vende.

Esquece-se que vivemos num mundo de recursos finitos como se fossem inesgotáveis e que a população aumenta sem harmonia, cavando desigualdades cada vez mais gritantes, entre os povos e dentro deles.

A economia tornou-se refém de um capital cego e surdo, que não é mudo no pedir.

E nós pagámos e continuamos a pagar. Até quando e como ? Parece que ninguém sabe.

Se quisermos ser dignos do legado de vida que recebemos dos nossos pais, temos de merecer o futuro que queremos deixar aos nossos filhos.

Por isso, conscientes das dificuldades que o Mundo, o País e a Região terão de enfrentar criámos as Conferências Internacionais do Funchal, sob o lema Merecer o Futuro, porque é disso mesmo que se trata.

Durante os último três anos trouxemos ao Funchal Luísa Schmidt, Filipe Duarte Santos, José Manuel Lima Santos, António Costa Silva, Timothy O’Riordan, Virginio Bettini, Sérgio Gonçalves do Cabo, Eduardo Oliveira Fernandes, Adriano Moreira, Korina Horta, Alexander Karius, António Dias Farinha e Loureiro dos Santos.

Reflectimos sob a batuta esclarecida de Viriato Soromenho Marques durante estes três anos os seguintes temas: “Riscos e respostas para a crise global contemporânea”, “As paixões e desafios da crise contemporânea” e “Entre o conflito e a partilha – raízes de guerra, sementes de paz”.

Os temas propostos e a envergadura intelectual de todos os conferencistas tornaram as nossas conferências um marco importante na vida cultural da nossa terra e espero que tenham servido de inspiração a todos os que a elas assistiram.

Este ano para nos ajudarem a reflectir sobre “Caminhos num tempo de incerteza” temos entre nós Serge Latouche, António Barreto, Júlio Machado Vaz e Gilles Lipovetsky.

Os seus currículos científicos e cívicos são tão relevantes e conhecidos que dispensam apresentação e estamos certos que as suas reflexões nos ajudarão a perceber melhor como estamos, como vivemos e como, todos juntos, poderemos atravessar melhor o tempo que se avizinha.

Tempo de dificuldades mas, também, tempo de esperança na inteligência, na sensibilidade, no trabalho e na cultura, meios sem os quais, seguramente, não seremos capazes de ainda poder encontrar o caminho certo nestes tempos incertos.

Aos nossos convidados e a Viriato Soromenho Marques que nos acompanha desde o início com o seu entusiasmo e saber nestas nossas Conferências Internacionais do Funchal a cidade, por meu intermédio, agradece e assegura estar muito honrada por terem aceite o nosso convite.

Muito obrigado. São muito bem vindos.

II Conferência Internacional do Funchal