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COMUNICAÇÕES
A CIDADE. ESPAÇO E GENTE. ENFRENTAR A AMEAÇA DE ENTROPIA
Prof. Dr. Virginio Bettini
Entropia, considerada um método de previsão de crescimento do Ambiente Urbano, representa um dos factores negativos que contrasta com os objectivos de sustentabilidade da Vida.
O controlo da Entropia, em termos da sua redução, representa a principal prioridade na evolução do Ambiente Urbano.
A equipa de investigação nesta área da Universidade IUAV, em Veneza, mantém a sua posição no fundamento de que o controlo e consequente redução da Entropia deverá ser especificamente caracterizada pelas seguintes metodologias:
- implementação de um Plano de Urbanismo Global, com vista à integração harmoniosa dos 10 fundamentos-chave da Ecologia Urbana;
- definição dos parâmetros de complementariedade entre as chamadas Ecologias Urbana e Paisagística
O SISTEMA FINANCEIRO GLOBAL E AS SUAS VULNERABILIDADES. ENFRENTAR A GANÂNCIA
Mestre Sérgio Gonçalves do Cabo
A crise financeira mundial que se iniciou no mercado monetário norte-americano em Agosto de 2007 e rapidamente se propagou à economia global tem características únicas, que a distinguem de outras crises financeiras registadas neste século porque, na sua essência, resulta de insuficiências na regulação da actividade dos bancos de investimentos independentes, dos hedge funds, dos fundos de pensões e das companhias de seguros norte-americanas (shadow banking system).
Essas insuficiências de regulação, conjugadas com uma política monetária e com uma política orçamental expansivas – que se traduziram num aumento exponencial do défice externo norte-americano – conduziram à acumulação excessiva de dívida por parte do Estado, dos bancos, das empresas e das famílias norte-americanas. Essa dívida, em grande parte financiada pelos principais credores dos Estados Unidos (onde avulta a China), tornou-se insustentável a partir do momento em que um conjunto de produtos financeiros derivados (CDO’s) deixaram de poder ser suportados pelos títulos subjacentes (ABS’s) devido aos elevados níveis de incumprimento no mercado do crédito à habitação sub-prime norte-americano, conduzindo a uma quebra generalizada no valor dos imóveis e obrigando a maior parte dos agentes económicos a rever a sua exposição a activos indexados ao mercado de crédito imobiliário norte-americano.
Como esses activos estavam espalhados pelo mundo devido à globalização dos mercados financeiros, é fácil compreender como um problema específico do mercado imobiliário norte-americano (em Portugal, por exemplo, não existe crédito hipotecário sub-prime) rapidamente se propagou a todo o mundo, conduzindo a generalidade dos bancos a uma revisão da sua exposição ao risco e, consequentemente, a uma reponderação das suas políticas de investimento e de concessão de crédito, a começar pelo crédito interbancário.
De repente, a aversão ao risco transformou-se numa crise de confiança, com o congelamento dos mercados monetários interbancários e com a intervenção dos bancos centrais de modo substituir as insuficiências da oferta de crédito interbancário.
As causas e as consequências da crise financeira internacional assim sumariamente descrita, bem como a análise das respostas dos Governos e dos Bancos Centrais e das consequências dessas respostas no futuro próximo, constituem o objecto da exposição relativa ao tema «O Sistema Financeiro Global e as suas Vulnerabilidades. Enfrentar a Ganância».
PARA ALÉM DA ESCASSEZ DO PETRÓLEO. ENCONTRAR UM CAMINHO PARA ENFRENTAR O INEVITÁVEL
Eduardo de Oliveira Fernandes
A escassez do petróleo é inevitável, independentemente das razões conjunturais ou estruturais do seu uso e da confirmação de novas reservas. O aparecimento de populações em número de dimensão global à mesa da ‘energia – paradigma dos anos sessenta’ cria um mecanismo de pressão que não augura nenhuma esperança em relação ao lugar do petróleo no cabaz energético do futuro. Isto, mesmo admitindo que o seu consumo ainda possa duplicar num horizonte não muito longínquo. O que quer dizer que quando também o futuro é um contínuo. Por isso, o mais importante aqui não é o futuro do Pico de Huppert, por muito interessante que o conhecer a sua data seja aliciante do ponto de vista do conhecimento mas, antes, o nosso futuro que, temos a certeza, poderá ser feliz mesmo sem petróleo.
Mas, então, onde reside esse caminho do futuro que nos leve a contornar o ‘inevitável’ que, não está dito mas, que sendo-o igualmente, é mais relevante que o fim do petróleo, e que é o aquecimento global até níveis que não sejam passíveis de regressão ainda que num tempo de muitas gerações criando, memso assim, porventura, irreversibilidades definitivas. Não fora o aquecimento global com o seu cortejo das alterações climáticas e o carvão poderia ser uma alternativa de prolongamento da ‘estação dos fósseis’ com ajudas pontuais e localizadas do gás natural. Mas isso seria continuar o passado da ‘cultura do petróleo’, ainda que sem o fumo negro das chaminés regurgitando progresso e assinalado na história com esse produto letal perfeitamente datado e que foi chamado de ‘smog’.
O caminho tem que ser outro e começa na compreensão de que a energia que nos deve preocupar é aquela de que precisamos: os seus fins, a sua qualidade e a sua quantidade. Não é por acaso que hoje se ouve falar de projectos ‘energia zero’ por corruptela de ‘balanço de energia zero’ para significar que é possível ao nível local converter os recursos energéticos da natureza e organizar os usos da energia disponível para a auto-suficiência energética dessa actividade.
Não é que se advogue a lógica do isolamento e da auto-suficiência mas a lógica da solidariedade ordenada de modo a começar por nós próprios afastando qualquer ideia de auto restrição em favor de uma racionalidade ou, de uma frugalidade energética que é cada vez mais apanágio das sociedades maduras do Norte da velha Europa.
A ÁRDUA PROCURA DA FELICIDADE. CONSTRUIR A SOLIDARIEDADE NA PROXIMIDADE DA SOLIDÃO
Prof. Dr. Viriato Soromenho-Marques
A felicidade é um tema quase tão antigo quanto a história do próprio pensamento humano, e em particular, quase contemporâneo, da génese das raízes da filosofia na Grécia Antiga. Nesta comunicação serão analisados os principais conteúdos e sentidos que permitem identificar o conceito de felicidade, como um tema clássico, não esquecendo, contudo, de assinalar a diferença moderna que consiste na promessa de realização generalizada da felicidade, para além de um quadro de perfeição ética e individual.
Nessa medida, a felicidade desvinculou-se da esfera da virtude e da perfectibilidade, para se transformar, duplamente, no coração de um programa político de emancipação social, e no núcleo de uma economia de mercado caracterizado pelo aumento exponencial da produção e dos consumos.
No final da primeira década do século XXI já temos experiência e distanciamento suficientes para nos interrogarmos sobre os limites desta concepção fortemente mercantil de felicidade, que ignora os limites da Natureza e dos ecossistemas e que esquece a complexidade da condição humana, irredutível à voragem insaciável do processo de consumo.
A DEMOCRACIA. A CRISE E AS CRISES. ENFRENTAR A INDIFERENÇA
Prof. Dr. Adriano Moreira
De regra aceitamos que o discurso de Péricles, pronunciado à beira do túmulo de um soldado da Guerra do Peloponeso, é a matriz do conceito da democracia ocidental. Todavia, Tucidedes, ao assegurar a memória do discurso do rival, afirma que de facto o governo de Atenas era o governo de um homem só. Ficou para sempre o conflito entre o princípio do governo de todos e a defesa da sede do poder. Esta defesa inspirou as exclusões, que na Declaração de Filadélfia se traduziram em excluir do direito à felicidade (Jefferson), os nativos, os escravos, os trabalhadores, as mulheres. A modelação do conceito de todos e da maioria levou à distinção entre: democracia – governo do povo, pelo povo, e para o povo (Lincoln); democracia popular – governo em favor da maioria de interessados pelo centralismo (soviético); democracia autoritária – governo dos interesses maiores, que unem as gerações passadas, presentes, e futuras. Foi o primeiro conceito que obteve supremacia na Carta da ONU e na sua Declaração de Direitos Humanos; a diversidade de regimes dos Estados membros levou à tolerância com os desvios e contradições, inspirados pela defesa da sede do poder (China). Esta defesa da sede do poder, na área directamente inspirada pelo discurso de Péricles, desviou para uma progressiva contra-democracia em curso, com quebra do valor da confiança na relação entre povo e aparelhos de governo. O respeito efectivo pelos Direitos Humanos tende para ser o padrão de referência e avaliação da distância entre a democracia e a realidade, inspirando acções correctoras da indiferença.
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